Levantamento feito pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a partir de registros da Polícia
Rodoviária Federal (PRF) e do Ministério da Saúde e divulgados pela imprensa, mostra que a sonolência está
presente em até 40% dos acidentes fatais nas estradas. É consenso que os efeitos do sono ao volante são parecidos
com os do álcool. Dirigir com sono compromete capacidades básicas como atenção, capacidade de tomada de
decisões e tempo de reação. Se isso é perigoso de modo geral, imagine para frotistas. É por isso que monitorar a
fadiga de motoristas com telemetria avançada salva vidas e também os negócios.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fadiga está entre os principais fatores contribuintes para
sinistros de trânsito fatais. Contudo, a situação pode ser ainda mais alarmante. Estudos independentes mostram que
a sonolência ao volante é subnotificada. Para os profissionais que operam caminhões e ônibus, a mensagem é direta:
detectar cedo e intervir rápido faz toda a diferença.

O cansaço aparece no jeito de dirigir antes de, eventualmente, se transformar em incidente. A telemetria funciona
como um tipo de “check‐up em tempo real” que auxilia o gestor de frota a decidir quando e como intervir.

É PRECISO ESTAR ATENTO AOS SINAIS
A telemetria pode atuar com Sistemas Driver Monitoring System (DMS) que analisam olhos e cabeça para identificar
sonolência e distração. Outro indicador importante é o Perclos (quanto tempo a pálpebra cobre a pupila), usado para
estimar sonolência.

Exemplos práticos de padrões de fadiga são a variação de velocidade sem motivo externo, correções de direção mais
frequentes, reação lenta a frenagens do tráfego, escolhas de marcha “preguiçosas” em subida, entre outras.

FADIGA PODE CUSTAR (MUITO) CARO PARA AS EMPRESAS
A fadiga não é apenas um problema de sono. É uma falha operacional que tem um custo altíssimo para a empresa e
que pode ser resumida em três fatores:

1- Acidentes e Sinistralidade
Motoristas cansados têm tempo de reação mais lento, aumentando o risco de acidentes graves, danos ao veículo e, o
mais importante, perda de vidas.

2- Custos Operacionais
A fadiga leva a um estilo de direção mais agressivo ou errático, resultando em consumo excessivo de combustível,
desgaste prematuro de freios e pneus, e maior necessidade de manutenção.

3- Inconformidade Legal
Ultrapassar o tempo máximo de direção contínua ou não cumprir o tempo de descanso pode resultar em multas
pesadas e problemas trabalhistas.

A solução começa com o monitoramento de indicadores que sinalizam o cansaço antes que um acidente aconteça. A
telemetria avançada não se limita a rastrear a localização do veículo. Ela se conecta à rede interna do motor (rede
CAN) e a sensores externos para registrar métricas comportamentais. É nessa leitura comportamental que a fadiga se
revela.

TOP 3 INDICADORES DE FADIGA LIDOS PELA TELEMETRIA

1. Tempo de Direção Contínua e Pausas
Este é o indicador mais básico e vital para a conformidade legal.

-O que a Telemetria Faz:
Registra automaticamente os horários de ligar e desligar o motor e a posição do veículo. Ela calcula o tempo exato de
direção e de descanso (parada total) exigido pela legislação (por exemplo, 5 horas e meia de condução máxima
contínua).
-Ação Proativa: O sistema envia alertas em tempo real para o gestor e para o motorista quando o limite de condução
está prestes a ser atingido, forçando a parada obrigatória antes da infração.

2. Padrões Erráticos de Condução (KPIs de Risco)
A perda de foco causada pelo cansaço se manifesta em comportamentos anormais no volante. A telemetria quantifica
esses eventos.

-Frenagens Bruscas Repetitivas: Um motorista fatigado pode demorar a reagir a um obstáculo (falha de atenção) e, de
repente, frear de forma violenta. Uma sequência de frenagens bruscas pode ser um forte sinal de alerta.
-Variações Anormais de Velocidade: Em uma estrada aberta, a velocidade deve ser relativamente estável. Oscilações
frequentes e desnecessárias (acelera, desacelera, acelera) indicam distração e falta de concentração.
-Rotação do Motor Inconsistente (RPM): A dificuldade em manter o motor na faixa econômica ideal (o “giro verde”)
revela falta de coordenação e cansaço.

3. Integração com Videotelemetria (Fator Humano)
A videotelemetria é a evolução do monitoramento e oferece a prova visual do cansaço, cruzando o vídeo com os dados
do veículo.

-O que o Vídeo Identifica: Câmeras inteligentes (instaladas na cabine e/ou na estrada) podem detectar:
-Distração: Uso de celular, desvio do olhar da pista.
-Sinais de Sonolência: Fechamento dos olhos ou bocejos prolongados.
-Análise de Eventos: Quando uma frenagem brusca (dado da telemetria) ocorre, o gestor assiste ao vídeo para
entender se a causa foi um imprevisto na pista ou a reação tardia do motorista (fadiga).

PLANO DE AÇÃO: USO CORRETO DE DADOS E CULTURA DE SEGURANÇA
Para que o controle de fadiga ajude de verdade quem está ao volante e eleve o nível de eficiência no transporte (seja
de carga ou de pessoas), a empresa precisa começar por uma política clara e prática de aplicação da telemetria.

Definir o objetivo (“cuidar de pessoas e da operação, não punir”), os papéis de cada área e os canais de comunicação.
Explicar, em linguagem simples, como os dados são coletados: telemetria (dados do veículo), GPS (localização) e,
quando fizer sentido, DMS (Driver Monitoring System, câmera interna que detecta sinais de sonolência).

Em seguida, ajustar o planejamento de jornada no TMS (sistema de gestão de transporte) para que as pausas não
sejam “sobras de tempo”, mas parte do desenho da rota. Mapear PPDs (Pontos de Parada e Descanso) confiáveis por
trecho, levar em conta tempos de espera em docas (detention) e topografia, e criar “regras simples” como: depois de X
horas de direção, programar pausa.

Antes de cada viagem, rodar um checklist automático. Importante salientar que se a escala já indicar risco (ex.: janela
apertada + trecho crítico), o sistema sugere antecipar a pausa ou redistribuir a carga. Essa prevenção diminui
cancelamentos, atrasos e remarcações de última hora — e o cliente sente a diferença.

Na operação, trabalhar em camadas. Primeiro, sinais do veículo (variação de velocidade sem motivo, correções de
direção frequentes, frenagens/arrancadas repetidas). Segundo, quando aplicável, confirmação pelo DMS. Com isso,
cuidar também das causas físicas de fadiga. Muitos “alertas de sonolência” somem quando há ergonomia e
manutenção em dia: banco regulado, cabine sem vibração excessiva, ar-condicionado funcionando, iluminação e ruído
controlados.

PLANO DE AÇÃO: CULTURA DE SEGURANÇA
Paralelamente, implementar sessões rápidas, de 5 a 10 minutos, pós-turno, com foco no que deu certo e em uma única
melhoria por vez (ex.: reduzir marcha lenta em trecho X). Programas de incentivo ligados a metas de segurança e
pausas realizadas aumentam a adesão sem criar clima punitivo.

Por fim, meça para melhorar continuamente. Acompanhe eventos de fadiga por 10 mil km, tempo até intervenção,
porcentagem de turnos com pausa planejada cumprida e incidentes. Revise resultados por rota, turno e veículo para
separar fadiga de falha mecânica e priorizar ações (ajuste de escala, manutenção, coaching).

Compartilhe relatórios trimestrais com clientes-chave mostrando como o controle de fadiga reduziu riscos e manteve a
regularidade das entregas. Isso fortalece a confiança, sustenta renegociação de prazos e seguros e vira diferencial
competitivo.

Porque motorista bem cuidado presta um atendimento melhor e a operação entrega o que promete. A telemetria
personalizada Kontrow mapeia quais parâmetros existem por modelo/ano, calibram limiares por missão e integram
alertas. Sempre com o objetivo de reduzir eventos de fadiga, diminuir sinistros, proteger pessoas e margens, alinhado à
legislação brasileira e aos padrões técnicos”, afirma Assaf Faiguenboim, Kontrow.