Da mesma forma que os veículos de passeio, caminhões e ônibus modernos contam com verdadeiros computadores
embarcados. São sistemas internos capazes de constante geração e troca de informações, tais como rotação do motor,
temperatura, pressão, consumo de combustível, alertas de falha e muito mais. E quem escuta e entende a linguagem
dessas máquinas é a telemetria, tecnologia que capta esses sinais e os leva para um sistema de gestão, onde se
transformam em indicadores, alertas e planos de ação. O resultado? Mais disponibilidade de equipamentos, economia
de combustível, segurança e eficiência.
Pegando carona em uma analogia simples, é como ter um check-up contínuo do veículo e usar os resultados para
dirigir melhor, gastar menos, antecipar e evitar quebras e render mais no trabalho.
Embora a tecnologia de telemetria colete dados muito similares em ambos os segmentos — como velocidade, rotação
do motor, frenagens e consumo de combustível, entre outros —, a forma como esses dados são priorizados e aplicados
reflete a distinção fundamental entre o transporte de cargas (caminhões) e o transporte de passageiros (ônibus).
Em outras palavras, podemos afirmar que a ferramenta é a mesma, mas os objetivos são diferentes. Vamos analisar
como essa diferença se manifesta na gestão de cada tipo de frota.
CAMINHÕES (TRANSPORTE DE CARGAS)
Na gestão de frotas de caminhões, o foco principal é a logística, o custo operacional e a integridade da carga. A
telemetria é direcionada para otimizar os seguintes pontos:
1- Eficiência de Combustível (Custo)
Esta é a métrica mais crítica. O combustível é o maior custo variável em longas distâncias. A telemetria permite um
controle rigoroso, identificando e corrigindo hábitos de condução que levam ao alto consumo, como excesso de
aceleração ou rotação do motor fora da faixa econômica.
2- Integridade da Carga
Para transportes especializados (como alimentos ou medicamentos), o monitoramento de sensores de temperatura em
baús frigoríficos é uma aplicação vital da telemetria. É essencial garantir que a temperatura se mantenha estável e que
as portas de carga não sejam abertas indevidamente.
3- Jornada de Trabalho e Produtividade
É fundamental usar os dados para garantir que a legislação do motorista seja cumprida, controlando o tempo de direção
e de descanso, o que impacta diretamente a produtividade e a segurança em rotas longas.
ÔNIBUS (TRANSPORTE DE PASSAGEIROS)
Nas frotas de ônibus (urbanos ou rodoviários), a aplicação da telemetria está fortemente ligada à segurança, ao
conforto e à qualidade do serviço prestado ao cliente. Nesse caso, além de dados importantes como o consumo de
combustível, por exemplo, as prioridades na aplicação dos dados mudam para:
1- Segurança da Condução e Conforto do Passageiro
O foco está na dirigibilidade suave. A telemetria é usada para monitorar intensamente eventos como frenagens e
acelerações bruscas. Uma condução agressiva não só aumenta o desgaste mecânico, mas, principalmente, causa
desconforto e risco de lesões aos passageiros.
2- Pontualidade e Frequência
Em linhas de transporte público, a regularidade é fundamental. A telemetria auxilia no controle preciso do tempo de
parada nos pontos ou terminais e na verificação do cumprimento das rotas, assegurando a pontualidade e a frequência
prometida.
3- Manutenção Preventiva Focada na Rota
Ônibus costumam operar em rotas fixas e com muitas horas de uso diário. Monitorar o tempo ocioso e o desempenho
dos componentes ajuda a prever falhas e agendar manutenção preventiva, garantindo a durabilidade e a
disponibilidade dos veículos.
Em resumo, enquanto a frota de caminhões usa a telemetria para proteger a margem de lucro e a mercadoria, a frota
de ônibus a utiliza primariamente para proteger as pessoas e a qualidade do serviço. No geral, ambos equilibram a
relação custo-benefício a fim de gerar receita com máxima eficiência, com gastos reduzidos.
TELEMETRIA EM AÇÃO – EXEMPLOS PRÁTICOS NA GESTÃO DE FROTAS
Gestores de frotas de ônibus e caminhões que entendem o propósito da telemetria para transformar dados brutos em
inteligência acionável, monitorando o comportamento dos veículos e dos motoristas para prevenir perdas e garantir a
eficiência, costumam ver os indicadores dos gráficos apontando para cima. Vejamos como a tecnologia é aplicada na
prática em cenários reais:
TELEMETRIA EM ÔNIBUS – PRIORIZANDO SEGURANÇA E CLIENTE
Cenário 1
O sistema da viação detecta que o motorista João, em sua rota urbana, costuma realizar uma média de 15 frenagens
bruscas por percurso, um número muito acima da média da frota.
O gestor utiliza o relatório detalhado para dar feedback individualizado a João, focado em direção defensiva e
antecipação do tráfego.
O resultado é que o número de frenagens bruscas de João cai para uma média de quatro por rota.
Isso reduz o desgaste dos freios e o consumo de combustível, e, o mais importante, diminui drasticamente as
reclamações de passageiros sobre o desconforto na viagem.
Cenário 2
Um ônibus rodoviário programado para uma parada de 15 minutos em um terminal registra um tempo de motor
ocioso (ligado em marcha lenta) de 35 minutos, fora do ponto de parada autorizado.
O sistema gera um alerta imediato no centro de controle. O gestor entra em contato com o motorista para verificar o
desvio e a demora.
A intervenção rápida garante que o motorista retome a rota rapidamente, evitando atrasos que poderiam
comprometer as conexões e a satisfação de dezenas de passageiros.
Cenário 3
O sistema de diagnóstico (via rede CAN) indica que a motorista Maria opera o motor com a rotação (RPM) acima da
faixa econômica em 60% do tempo.
O gestor utiliza essa métrica para realizar um treinamento prático e focado sobre o uso correto do torque do veículo e
a troca de marchas.
Maria aprende a manter o motor no “giro verde”. Isso aumenta a vida útil dos componentes e leva a uma economia
imediata de combustível em todos os veículos que ela dirige.
TELEMETRIA EM CAMINHÕES – FOCO EM CUSTO E CARGA
Cenário 1
Em uma jornada com carga de alimentos congelados, um alerta de temperatura é disparado, indicando que o baú
frigorífico está subindo perigosamente acima do limite aceitável.
O gestor é notificado instantaneamente no painel e orienta o motorista a verificar o motor de refrigeração.
A intervenção acontece antes que o calor derreta a carga. Isso evita a perda total da mercadoria, que poderia custar
milhares de reais, e preserva a credibilidade da transportadora.
Cenário 2
O relatório de um caminhão em rota de longo curso mostra quatro horas de motor ligado em ponto morto em um
posto de parada.
O gestor compara o tempo ocioso com os registros de descanso. Se o descanso foi prolongado, o motorista é advertido
e treinado a desligar o motor.
Eliminar ociosidade desnecessária resulta em uma redução expressiva no consumo de diesel da frota, tornando a
operação mais sustentável e econômica.
Cenário 3
Sensores de telemetria identificam um aumento anômalo na pressão do óleo do motor ou um pequeno erro de
comunicação na rede CAN do veículo.
O gestor recebe um alerta de falha incipiente e agenda uma inspeção na oficina no próximo pátio logístico do
caminhão.
A falha é corrigida a tempo, evitando uma pane grave na estrada (que geraria custos com guincho, horas paradas e
atraso na entrega) e prolongando a vida útil de componentes caros do motor.
Para Assaf Faiguenboim, Kontrow, telemetria em veículos pesados, sejam ônibus ou caminhões, só gera eficiência
quando o aspecto técnico se torna rotina operacional, com aplicações no dia a dia.
“Reduzir marcha lenta, cortar paradas não programadas, estabilizar consumo. A tecnologia vem para responder a essas perguntas com precisão. As equipes especializadas da Kontrow ajudam a definir escopo de trabalho, validar o que cada veículo realmente expõe e integrar os sistemas. O objetivo é transformar rotas e trajetos em dados mensuráveis e, a partir da análise dos gráficos, entender como atingir os objetivos específicos de cada empresa de transporte”, completa Assaf Faiguenboim.


