Os números chamam a atenção para ocorrências preocupantes nas estradas brasileiras. Vamos apontar duas delas:

Estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que os acidentes de trânsito no Brasil geram custos de cerca de R$ 50 bilhões por ano, considerando perda de produtividade, despesas hospitalares e impacto previdenciário.

Levantamentos com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da CNT (Confederação Nacional do Transporte) apontam um crescimento no número de acidentes envolvendo caminhões e cargas no Brasil. Somente em 2024, foram registrados 31.232 acidentes com veículos de carga nas rodovias federais.

São dados alarmantes. Mas é importante não perder o foco de que por trás desses números estão vidas.

O mais preocupante é que o fator humano é um dos responsáveis diretos por tantos acidentes. Excesso de velocidade, desatenção, decisões equivocadas ao volante podem transformar veículos em armas. Mas há uma luz no final deste túnel. Pesquisas recentes reforçam que sistemas de telemetria e rastreamento avançado reduzem hábitos de risco, como aceleração desmedida e freadas bruscas, em resumo, a condução inadequada, levando à queda significativa na frequência de acidentes.

No transporte e na logística, a segurança da frota determina a sustentabilidade financeira da operação, a relação com clientes e a responsabilidade social da empresa. Cada acidente envolve pessoas, veículos, contratos e reputação. Para minimizar riscos, o uso dos avanços em telemetria atua na máquina e também no fator humano, conectando motorista, veículo e gestão em tempo real. Isso permite que a empresa saia de uma postura reativa (atuar depois do acidente ou da pane) para um modelo preventivo e preditivo de segurança.

SEGURANÇA DE FROTAS EM NÚMEROS: DO RISCO AO RESULTADO
Em qualquer operação de transporte, o risco se concentra na combinação entre comportamento ao volante e condição mecânica do veículo. Sem dados, o gestor descobre o problema pelo boletim de ocorrência, pela reclamação do passageiro ou pela nota da oficina. Com telemetria, é possível enxergar tendências de risco antes que elas se convertam em evento crítico.

Nas operações monitoradas com o uso de tecnologia avançada, como a desenvolvida pela Kontrow, a aplicação estruturada da telemetria de segurança vem se traduzindo em quedas relevantes de ocorrências. Entre os resultados mais expressivos, destacam-se:

Redução de acidentes com culpa da frota, saindo de um patamar histórico elevado para quedas superiores a 50% em diversos projetos, com impacto direto em sinistros, exposição jurídica e negociação com seguradoras.

Queda nas reclamações de passageiros em transporte de pessoas, com casos que passaram de 217 para 97 reclamações mensais, representando cerca de 84% de redução e melhorando de forma consistente a experiência do usuário.

Diminuição drástica de quedas de usuários em ônibus, reduzindo de 10 para 1 ocorrência por mês em determinados cenários, o que representa uma redução de 90% em eventos de alto risco para a integridade física dos passageiros.

Quando a empresa passa a medir de forma sistemática o que acontece em campo, a segurança deixa de ser apenas discurso e se torna indicador de desempenho. Isso se reflete em previsibilidade operacional, melhor percepção de risco por parte das seguradoras, menos litígios e mais confiança por parte de embarcadores e clientes.

DO REGISTRO AO FEEDBACK EM TEMPO REAL
A grande virada da telemetria aplicada à segurança está no feedback imediato. Em vez de usar dados apenas para “descobrir o culpado” depois do problema, a telemetria transforma a tecnologia em um copiloto digital, que orienta o motorista durante a jornada e oferece subsídios concretos para a área de gestão de pessoas.

A solução integra identificação de condutor, classificação de condução em tempo real (de “ótima” a “péssima”), alertas visuais por LEDs, sinais sonoros na cabine e relatórios para coordenação e engenharia. O motorista sabe, na prática, que está sendo acompanhado por critérios claros enquanto o gestor consegue atuar com base em fatos, não em impressões.

A análise comportamental da Kontrow, por exemplo, monitora, de forma contínua, três grandes dimensões:

1- Velocidade e faixa de rotação
Identificação de condução em velocidade acima dos limites definidos pela empresa ou pela via e das condições atmosféricas, o que indica direção agressiva.

2- Qualidade das manobras e uso dos sistemas do veículo
Registro de frenagens, arrancadas e curvas bruscas, uso de “banguela” em velocidade, acionamento excessivo do freio de serviço e outros comportamentos que aumentam o risco de acidentes e aceleram o desgaste mecânico.

3- Jornada e fadiga
Acompanhamento do tempo de direção contínua, reduzindo a probabilidade de incidentes relacionados ao cansaço na direção.

A partir desses dados, é possível construir rankings de motoristas, desenhar treinamentos personalizados e implementar programas de reconhecimento focados em boas práticas. Com o tempo, a frota passa a operar sob uma cultura de direção segura e responsável, e não apenas sob regras formais difíceis de monitorar.

DIAGNÓSTICO PREDITIVO: QUANDO TELEMETRIA PROTEGE VIDAS E COMPONENTES
Segurança também depende da integridade mecânica. Freio sobrecarregado ou turbina em condição crítica representa perigo tanto quanto um motorista imprudente. Por isso, a telemetria de dados profundos lê variáveis de motor, transmissão, freios e sistemas auxiliares para antecipar falhas e orientar intervenções antes que elas se tornem pane ou acidente.

O monitoramento remoto dos sinais elétricos e códigos de falha permite abandonar a manutenção baseada apenas em quilometragem ou sensação. Em vez de “esperar quebrar”, a empresa passa a atuar com base em diagnóstico.

Os ganhos típicos aparecem em frentes como:

Turbina
Ao monitorar aceleração com motor frio e o comportamento de desligamento logo após a parada, o sistema ajuda a preservar a lubrificação adequada da turbina, reduzindo esforços desnecessários. Em determinadas operações, isso chegou a representar aumento de até 100% na vida útil do componente.

Embreagem
A partir da correlação entre estilo de condução e uso do pedal, a telemetria identifica motoristas que mantêm o pé apoiado na embreagem mesmo sem acioná-la completamente. Essa informação permite treinar o condutor, redistribuir rotas e frear o desgaste precoce, com resultados de até 80% de ganho na vida útil em alguns cenários.

Sistema de freios
Ao registrar o uso contínuo do freio de serviço em trechos longos ou descidas, a telemetria orienta a adoção de técnicas mais seguras, como o uso adequado de freio-motor. Isso se traduz em aumentos de até 60% na vida útil de componentes de freio, mais segurança nas viagens e menos paradas emergenciais por falha.

SEGURANÇA COMO ATIVO ESTRATÉGICO
Ao adotar telemetria de segurança em toda a frota, a empresa passa a operar com um nível superior de controle de risco. Isso é percebido não apenas internamente, mas também por seguradoras, embarcadores e órgãos públicos. Frotas com histórico comprovado de redução de acidentes, melhor comportamento ao volante e manutenção preditiva tendem a negociar prêmios mais competitivos, participar com mais força de concorrências e consolidar uma imagem de parceiro confiável em contratos de longo prazo.

Na prática, investir em telemetria é transformar segurança em ativo. A mesma solução que ajuda a evitar colisões, reclamações e quedas de passageiros também protege o caixa, os contratos e a marca”, comenta Assaf Faiguenboim, diretor da Kontrow.

A Kontrow posiciona a telemetria como uma plataforma completa de segurança, eficiência e decisão. A combinação entre leitura profunda de parâmetros do veículo, análise comportamental em tempo real, diagnóstico preditivo e recursos como identificação de condutor permite que a manutenção, gestores de frota e executivos transforme risco técnico e humano em processo controlável.

Acidentes continuam sendo um dos maiores riscos das operações de transporte em vários níveis, seja de vidas, imagem ou recursos financeiros. A combinação de telemetria de dados profundos e gestão ativa já provou, na prática, que pode reduzir esse problema, diminuir reclamações, aumentar a vida útil de componentes e cortar custos com manutenção, combustível e seguros. Sem dados, a gestão de segurança é reativa. Com telemetria, ela se torna preditiva, mensurável e escalável”, completa Alexandre Fagundes, Diretor Comercial e de Marketing da Kontrow.